Criptomoeda acumula recuo superior a 30% no ano após romper suporte crítico, pressionada por juros americanos, saída de ETFs e vendas de baleias.
O Bitcoin chegou a junho de 2026 em um dos piores momentos do ano: a criptomoeda acelerou a queda e chegou a operar abaixo do patamar psicológico de US$ 60 mil no início do mês, o menor nível desde meados de setembro de 2024, ameaçando romper o patamar considerado crítico para a manutenção do ciclo de alta. Para quem acompanha o mercado cripto há alguns ciclos, a magnitude da correção levanta perguntas legítimas: trata-se de um recuo passageiro dentro de um ciclo maior ou existe alguma mudança estrutural acontecendo com o ativo? A resposta, como quase sempre nesse mercado, não é simples e não cabe em um único número. InfoMoney
O Bitcoin chegou a junho carregando um peso considerável: uma queda acumulada que supera os 30% desde o início do ano, com o ativo sendo negociado bem abaixo dos recordes históricos tocados no segundo semestre de 2025. Esse tipo de correção, ainda que expressiva, não é inédita na história do Bitcoin. O que diferencia o momento atual é a combinação de fatores que se sobrepuseram ao longo dos meses, tornando a pressão vendedora mais persistente do que em episódios anteriores. Entender essa combinação é essencial para qualquer pessoa que pretende acompanhar o ativo com mais clareza. Mundodobitcoin
A tormenta macroeconômica por trás da queda
O gatilho mais recente para a queda foi o payroll de maio dos Estados Unidos, que mostrou a criação de 172.000 vagas de emprego, mais que o dobro da estimativa de consenso do mercado, de 80.000 a 85.000. Um mercado de trabalho mais aquecido que o esperado reduz as chances de que o banco central americano corte os juros nas próximas reuniões, o que pressiona ativos de risco como as criptomoedas. Esse mecanismo é conhecido: quando os juros permanecem elevados, o capital institucional tende a migrar para renda fixa, reduzindo a liquidez que historicamente alimenta mercados como o de criptoativos. InfoMoney
A manutenção dos juros americanos no intervalo entre 3,50% e 3,75% pelo Federal Reserve, sem nenhuma sinalização clara de cortes em 2026, tornou o cenário menos atrativo para ativos de risco como o Bitcoin. Além disso, vários bancos centrais pelo mundo enxergam um recuo mais tímido nas taxas de juros, com a guerra no Irã sendo apontada como um fator prejudicial para a inflação dos países. O ambiente externo, portanto, combina pressão de juros elevados com incerteza geopolítica, dois fatores que historicamente pesam sobre ativos com maior volatilidade. MundodobitcoinInvestidor10
A situação no Oriente Médio pesou sobre o apetite a risco ao longo do mês. Com a alta permanente do petróleo, o mercado de juros passou a precificar com maior probabilidade ao menos mais uma alta de 25 pontos-base pelo Federal Reserve ao longo de 2026, cenário que historicamente reduz o apetite por ativos de risco como criptomoedas. O movimento criou um ciclo de retroalimentação: queda do Bitcoin gera liquidações em derivativos, que pressionam ainda mais o preço, que por sua vez aumenta a aversão ao risco entre investidores institucionais. InfoMoney
ETFs despencam e baleias entram em cena
Outro fator que pesou sobre o mercado foi o comportamento dos fundos de índice de Bitcoin nos Estados Unidos. Os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos registraram saídas líquidas em 11 sessões consecutivas a partir de 15 de maio, totalizando cerca de US$ 3,45 bilhões, segundo estimativas do JPMorgan. Trata-se da maior e mais longa sequência de resgates desde o lançamento dos fundos em janeiro de 2024, superando o recorde anterior de oito pregões negativos registrado em fevereiro de 2025. Apenas em uma sessão, os investidores retiraram US$ 484 milhões, com o IBIT, da BlackRock, respondendo por cerca de 91% do total. InfoMoneyInfoMoney
Outro sinal de alerta veio dos grandes investidores, conhecidos no mercado como “baleias”. Os depósitos de Bitcoin na Binance, maior exchange do mundo, dobraram ao longo da semana: foram cerca de 8.200 BTC enviados à plataforma em um único dia e mais de 6.400 BTC em outro, ante uma média mensal de 1.200 BTC desde meados de abril. Movimentos desse tipo costumam indicar intenção de venda, já que os investidores transferem os ativos para a corretora antes de negociá-los. Ao mesmo tempo, analistas ponderaram que a interpretação não é necessariamente unidirecional: a última vez que os depósitos de baleias atingiram esse nível foi durante a queda anterior, episódio que marcou um fundo local antes de uma recuperação. InfoMoney
Também pesou sobre a criptomoeda um movimento de venda de criptomoedas por empresas chamadas Bitcoin Treasuries. A Strategy, por exemplo, informou ao mercado que se desfez de parte de suas unidades. Esse tipo de movimento por parte de grandes detentores institucionais tende a amplificar a pressão sobre o preço em momentos já sensíveis, quando a liquidez está menor e o mercado está mais nervoso com o cenário macro. Investidor10
O que dizem os dados e para onde olhar
No campo técnico, o nível de US$ 60 mil emergiu como o principal ponto de atenção do mercado. Um fechamento abaixo desse patamar abriria espaço para quedas mais expressivas em direção à faixa entre US$ 55 mil e US$ 58 mil. Analistas do mercado observaram que a perda de suportes relevantes pode acionar mais liquidações automáticas, agravando o recuo no curto prazo. Por outro lado, a faixa próxima a US$ 60 mil também concentra compradores históricos que enxergam o nível como oportunidade de reposicionamento. InfoMoney
O patamar de US$ 60 mil tem sido acompanhado de perto como suporte relevante: caso não seja mantido, projeções indicam que o ativo poderia testar a região de US$ 53 mil antes de buscar estabilização. Parte do mercado, porém, segue apostando em recuperação. Existem três gatilhos que poderiam impulsionar o BTC de volta às máximas históricas: a maturação do segmento com regulamentação mais clara, a entrada de capital institucional e a possibilidade de os Estados Unidos estruturarem uma reserva estratégica em Bitcoin. MundodobitcoinSeu Dinheiro
O mercado de criptoativos é marcado por ciclos de alta e baixa com intensidade muito superior à de outros ativos. Qualquer análise sobre o preço do Bitcoin deve ser lida com cautela e não deve ser interpretada como recomendação de compra ou venda. Investir em criptoativos envolve riscos elevados, incluindo a perda total do capital investido. Quem acompanha o setor com objetivos de longo prazo costuma considerar os fundamentos da rede, o comportamento dos ciclos anteriores e a própria tolerância ao risco antes de tomar qualquer decisão.
Fontes consultadas: InfoMoney | Mundo do Bitcoin | Investidor10 | Seu Dinheiro
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

