A distância entre pacientes e serviços de saúde ainda representa um obstáculo para muitas comunidades vulneráveis. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, considera que discutir novas formas de atendimento também exige olhar para as dificuldades encontradas em diferentes territórios. Nesse cenário, a telemedicina pode ampliar as possibilidades de acesso ao permitir consultas e acompanhamentos à distância, reduzindo a necessidade de deslocamentos em situações nas quais o atendimento remoto é adequado.
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Como a telemedicina pode aproximar o atendimento?
Em regiões onde hospitais, clínicas e especialistas estão concentrados em cidades maiores, o deslocamento pode consumir tempo, dinheiro e esforço do paciente. A telemedicina cria uma alternativa para situações em que a avaliação remota é adequada, permitindo estabelecer contato com profissionais sem exigir uma viagem a cada atendimento. Para quem vive longe dos grandes centros, essa possibilidade pode facilitar o acesso a orientações e acompanhamentos que, de outra forma, exigiriam deslocamentos frequentes.
Essa possibilidade pode ser especialmente relevante para acompanhamentos que não dependem necessariamente de uma avaliação presencial imediata. Orientações, retornos, acompanhamento de determinadas condições e análise de informações já disponíveis podem ocorrer remotamente, conforme a situação clínica e os recursos disponíveis. A modalidade também pode contribuir para organizar melhor o percurso do paciente, indicando quando uma avaliação presencial é necessária e evitando viagens que poderiam ser substituídas por um contato remoto.
Na visão do Doutor Yuri Silva Portela, essa aproximação precisa partir das necessidades reais de cada comunidade. A tecnologia pode encurtar uma distância geográfica, mas o resultado depende de outros fatores que determinam se o paciente conseguirá utilizar o serviço. Conectividade, acesso a dispositivos e orientação para utilizar as ferramentas digitais são condições importantes para que a telemedicina realmente cumpra seu papel de aproximar o cuidado.
O acesso digital pode criar uma nova barreira?
Ter uma ferramenta de telemedicina disponível não significa que todos conseguirão utilizá-la. Internet instável, ausência de equipamentos adequados, dificuldade para utilizar plataformas digitais e falta de familiaridade com recursos tecnológicos podem impedir que justamente as pessoas mais vulneráveis aproveitem essa alternativa. Por isso, ampliar a oferta de atendimento remoto também exige avaliar as condições tecnológicas existentes em cada comunidade.

Para idosos, por exemplo, o processo pode exigir apoio adicional quando a plataforma possui muitas etapas ou utiliza recursos pouco intuitivos. Nesses casos, familiares, profissionais ou agentes comunitários podem ajudar na preparação do atendimento. A inclusão digital passa, portanto, a fazer parte da própria discussão sobre acesso à saúde. O Doutor Yuri Silva Portela alude que ensinar o uso dessas ferramentas e oferecer suporte durante o processo pode facilitar a participação de quem ainda não tem familiaridade com os recursos digitais.
O que muda quando o atendimento chega ao território?
A telemedicina também pode contribuir para reduzir a necessidade de deslocamentos frequentes. Um paciente que precisa acompanhar uma condição de saúde pode, em determinadas circunstâncias, realizar parte desse processo remotamente e comparecer presencialmente quando houver necessidade de avaliação física ou outro procedimento. Essa possibilidade é especialmente relevante para pessoas que vivem longe dos centros urbanos e precisam percorrer grandes distâncias para manter o acompanhamento.
Essa combinação pode tornar o acompanhamento mais organizado. Em vez de pensar em atendimento presencial e remoto como alternativas completamente opostas, é possível utilizá-los de maneira complementar, de acordo com a necessidade apresentada em cada momento. Dessa forma, cada modalidade pode cumprir uma função diferente dentro do cuidado, preservando o contato presencial quando ele for necessário e utilizando a tecnologia para facilitar outras etapas.
Para o trabalho desenvolvido pelo Doutor Yuri Silva Portela no Humaniza Sertão, essa discussão ganha uma dimensão social importante. Aproximar o cuidado das comunidades não significa apenas disponibilizar tecnologia, mas entender quais recursos podem realmente facilitar a vida de quem enfrenta dificuldades para chegar aos serviços. Essa perspectiva reforça que qualquer solução precisa considerar as características do território e as condições concretas de quem depende daquele atendimento.
